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Durante uma partida de futebol entre amigos, um choque inesperado acontece: um jogador é atingido na parte frontal da perna, logo abaixo do joelho, e cai no chão com dor intensa. No início, acredita ser apenas uma pancada comum, mas o incômodo aumenta, e a dificuldade para apoiar o pé e dobrar a perna se torna evidente. Após alguns exames, o diagnóstico surpreende: lesão no ligamento cruzado posterior.
Embora o ligamento cruzado anterior (LCA) seja mais conhecido, o LCP é igualmente importante para a estabilidade do joelho. Ele atua como um “freio” interno, impedindo que a tíbia se desloque excessivamente para trás em relação ao fêmur. Lesões nesse ligamento, apesar de menos comuns, podem comprometer seriamente a função da articulação e exigir um tratamento bem direcionado para evitar sequelas.
Neste artigo, vamos explicar em detalhes o que é o ligamento cruzado posterior, como ocorrem suas lesões, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as melhores estratégias de tratamento e recuperação.
O ligamento cruzado posterior (LCP) é um dos quatro ligamentos principais do joelho, localizado na parte interna da articulação. Ele se conecta da parte posterior da tíbia até a face interna do côndilo medial do fêmur.
Sua principal função é evitar o deslocamento posterior da tíbia em relação ao fêmur, contribuindo para a estabilidade do joelho em movimentos como correr, mudar de direção ou descer escadas.
O LCP trabalha em conjunto com o ligamento cruzado anterior, os colaterais e a musculatura da perna, formando um sistema de proteção contra movimentos que poderiam sobrecarregar ou lesionar a articulação.
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Conheça os tipos de lesões no ligamento do joelho
A lesão do LCP geralmente acontece devido a traumas diretos na parte anterior da perna, especialmente quando o joelho está dobrado. Entre as causas mais comuns estão:
Acidentes automobilísticos – quando o joelho atinge o painel do carro, empurrando a tíbia para trás.
Quedas – especialmente sobre o joelho dobrado.
Esportes de contato – como futebol, rugby e artes marciais, em que colisões e impactos frontais são frequentes.
Torções associadas – em alguns casos, a lesão pode ocorrer junto com outras estruturas, como meniscos e ligamentos colaterais.
A gravidade da lesão pode variar de um simples estiramento das fibras ligamentares até uma ruptura completa.
Os sintomas podem variar de acordo com a gravidade, mas alguns sinais são característicos:
Dor na parte posterior do joelho
Inchaço que surge nas primeiras horas após o trauma
Sensação de instabilidade ou falseio, especialmente ao descer rampas ou escadas
Dificuldade para apoiar o peso na perna lesionada
Limitação para dobrar ou esticar completamente o joelho
Em lesões menos graves, a dor pode ser mais discreta, o que leva algumas pessoas a adiarem a busca por tratamento, um erro que pode comprometer a recuperação.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da lesão do ligamento cruzado posterior começa com uma avaliação clínica detalhada feita por um ortopedista especialista em joelho. O médico realiza testes específicos, como o teste da gaveta posterior, para verificar a estabilidade da articulação.
Além disso, exames de imagem são fundamentais para confirmar a lesão e avaliar se há comprometimento de outras estruturas:
Ressonância magnética – método mais preciso para visualizar a integridade do LCP e estruturas associadas.
Radiografias – usadas para descartar fraturas ou desalinhamentos ósseos.
Ultrassonografia – pode ajudar na avaliação inicial, mas não substitui a ressonância.
Tipos e graus de lesão do LCP
Assim como outros ligamentos, o ligamento cruzado posterior pode apresentar diferentes níveis de lesão, classificados em graus:
Grau 1: estiramento leve das fibras, sem perda significativa da função.
Grau 2: ruptura parcial, com aumento da instabilidade e dor moderada.
Grau 3: ruptura completa, causando instabilidade grave e comprometimento funcional.
Essa classificação ajuda o ortopedista a definir o tratamento mais adequado para cada caso.
Tratamento da lesão do ligamento cruzado posterior
O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade da lesão, do nível de atividade física do paciente e de possíveis lesões associadas.
Indicado principalmente para lesões de grau 1 e 2, sem instabilidade significativa. Pode incluir:
Repouso e uso de muletas para evitar sobrecarga inicial
Gelo para reduzir inchaço e dor
Fisioterapia focada no fortalecimento muscular e ganho de amplitude de movimento
Órteses (joelheiras) para estabilização temporária
A cirurgia é mais indicada nos casos de ruptura total (grau 3) ou quando há lesões associadas que comprometem a estabilidade. Geralmente, o procedimento envolve reconstrução do LCP com enxerto de tendões, restaurando a função ligamentar.
O tempo de recuperação após a cirurgia pode variar de 6 a 12 meses, dependendo da evolução do paciente e da adesão à fisioterapia.
Recuperação e reabilitação
A reabilitação é uma etapa fundamental, seja no tratamento conservador ou após cirurgia. Ela envolve:
Exercícios para fortalecimento do quadríceps, isquiotibiais e músculos estabilizadores do joelho
Treinos proprioceptivos para recuperar o equilíbrio e a coordenação
Progressão gradual das atividades, evitando movimentos que sobrecarreguem o LCP
Seguir corretamente as orientações médicas e do fisioterapeuta é essencial para garantir a volta segura às atividades esportivas ou profissionais.
Possíveis complicações de uma lesão não tratada
Ignorar ou adiar o tratamento da lesão do ligamento cruzado posterior pode trazer consequências sérias, como:
Instabilidade crônica do joelho
Sobrecarga em outras estruturas, levando a lesões secundárias
Desgaste precoce da cartilagem (artrose)
Redução da performance esportiva
Dor crônica e limitações nas atividades diárias
Prevenção de lesões no ligamento cruzado posterior
Embora nem todos os acidentes possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de lesões no LCP:
Fortalecer a musculatura das pernas e quadril
Manter a técnica correta em exercícios e esportes
Usar calçados adequados para cada tipo de atividade
Evitar sobrecarga repetitiva no joelho
Realizar alongamentos antes e depois das atividades físicas
A lesão do ligamento cruzado posterior pode não ser tão conhecida quanto a do LCA, mas merece a mesma atenção. Reconhecer os sintomas, buscar diagnóstico precoce e seguir o tratamento indicado são passos essenciais para preservar a saúde e a estabilidade do joelho.
Com acompanhamento especializado, é possível retomar as atividades e evitar complicações a longo prazo.
Agende sua consulta com o Dr. Itamar Neto, ortopedista e traumatologista especializado em joelho, com experiência no diagnóstico e tratamento de lesões do ligamento cruzado posterior. Ele oferece atendimento humanizado, exames precisos e terapias personalizadas para sua recuperação.
O LCP impede que a tíbia se desloque para trás, enquanto o LCA evita que ela se mova para frente. As lesões do LCA são mais comuns, mas as do LCP podem causar instabilidade significativa e, muitas vezes, ocorrem em conjunto com outras lesões.
Depende do grau da lesão e do tratamento realizado. Em casos leves tratados de forma conservadora, alguns pacientes podem retornar às atividades, desde que não haja instabilidade. Lesões graves geralmente exigem cirurgia antes do retorno esportivo.
O tempo varia de acordo com o tipo de trabalho. Funções administrativas podem ser retomadas em poucas semanas, mas atividades que exigem esforço físico intenso podem demandar meses de recuperação.
Não. Muitas lesões parciais (grau 1 ou 2) respondem bem ao tratamento conservador, que inclui fisioterapia e fortalecimento muscular. A cirurgia é reservada para casos graves ou quando há instabilidade persistente.
A ressonância magnética é o exame mais preciso, permitindo avaliar não só o LCP, mas também possíveis lesões associadas. O exame físico com testes específicos também é essencial para o diagnóstico.
Sim. Se não tratada corretamente, a instabilidade do joelho pode levar a um desgaste precoce da cartilagem, aumentando o risco de artrose a médio e longo prazo.
Sim. Existem órteses específicas que ajudam a estabilizar o joelho e limitar o movimento posterior da tíbia, auxiliando na recuperação durante o tratamento conservador.