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BMAC, PRP e células-tronco: como escolher o tratamento certo?
  • Por: Dr. Itamar Neto
  • 16/06/2026

PRP, BMAC e células-tronco no joelho: como escolher o tratamento certo?

Você já ouviu falar em PRP, BMAC ou células-tronco para tratar o joelho e ficou sem saber qual é a diferença? Essa dúvida é cada vez mais comum. Esses três nomes representam tratamentos regenerativos que estão mudando a forma como a ortopedia cuida do joelho, mas cada um funciona de um jeito diferente e serve para situações diferentes.

Segundo dados publicados no periódico Cartilage (2022), o mercado global de terapias regenerativas em ortopedia cresceu mais de 15% ao ano na última década. Esse avanço aconteceu porque muitas pessoas precisavam de uma opção entre a fisioterapia convencional e a cirurgia, e esses tratamentos vieram preencher exatamente esse espaço. 

Mas com tanta informação circulando, fica difícil entender o que de fato faz sentido para o seu caso. Neste artigo, você vai descobrir como cada um desses tratamentos funcionam, quando cada um é mais indicado e quais fatores ajudam a definir a melhor escolha para o seu joelho.

Principais aprendizados

Veja um resumo do que você vai encontrar neste conteúdo:

  • O PRP, o BMAC e as células-tronco mesenquimais são formas diferentes de tratamento regenerativo para o joelho, cada uma indicada para um grau de comprometimento articular específico.

  • O plasma rico em plaquetas é a abordagem mais simples e menos invasiva, com boa indicação para artrose inicial a moderada e tendinites crônicas no joelho.

  • Quando o PRP não é suficiente, o concentrado de medula óssea entra como opção mais robusta, trazendo células mesenquimais capazes de estimular a regeneração de cartilagem e osso subcondral.

  • As células-tronco mesenquimais já têm resultados promissores na ciência, mas seu uso expandido no Brasil ainda segue critérios regulatórios específicos da Anvisa.

  • A escolha entre os três tratamentos depende do grau de artrose, do histórico clínico e dos objetivos do paciente, e deve sempre ser orientada por um especialista em ortopedia regenerativa.

  • Em casos de artrose muito avançada, a medicina regenerativa tem limites claros, e a cirurgia pode ser a indicação mais adequada para recuperar a função do joelho.

O que é ortobiologia e por que ela mudou o tratamento do joelho?

A ortobiologia é um campo da ortopedia que usa substâncias biológicas, geralmente retiradas do próprio paciente, para estimular o corpo a se reparar de dentro para fora.

A diferença em relação ao tratamento convencional é simples: em vez de apenas aliviar a dor com anti-inflamatório ou remover o tecido lesionado, a ortobiologia tenta dar ao organismo o que ele precisa para se curar por conta própria, em quantidades muito maiores do que as que existem naturalmente no local da lesão.

PRP, BMAC e células-tronco mesenquimais são as três abordagens de ortobiologia com mais evidência científica disponíveis hoje. Cada uma age de um jeito diferente, indicada para momentos diferentes, e a escolha entre elas depende de uma avaliação que só um especialista consegue fazer com precisão.

Como funciona o PRP e quando ele é o tratamento certo para o joelho?

O PRP, ou plasma rico em plaquetas, é o tratamento regenerativo mais estudado e mais utilizado na ortopedia. O princípio é simples: as plaquetas do seu sangue carregam proteínas chamadas fatores de crescimento, que funcionam como um sinal para o organismo começar a reparar um tecido danificado. No PRP, esses fatores são concentrados em quantidade muito maior do que a que existe no sangue circulante e aplicados diretamente no joelho.

O processo começa com uma coleta de sangue do próprio paciente, de 15 a 60 ml dependendo do protocolo. Esse sangue passa por uma centrífuga, que separa as partes por peso e concentra as plaquetas. O resultado é o plasma rico em plaquetas, pronto para ser injetado no joelho. Tudo é feito em consultório, sem internação.

De acordo com uma revisão sistemática publicada no American Journal of Sports Medicine (Riboh et al., 2016), o tratamento com plasma rico em plaquetas no joelho gerou melhora significativa em dor e função em pacientes com artrose inicial a moderada, com resultados superiores ao ácido hialurônico em grupos específicos.

Para quem o PRP é mais indicado?

O tratamento com plasma rico em plaquetas no joelho tende a funcionar melhor nos seguintes casos:

  • Artrose nos graus I a III (escala Kellgren-Lawrence), especialmente quando fisioterapia e anti-inflamatórios não foram suficientes

  • Tendinite patelar crônica, conhecida como joelho do saltador

  • Lesões focais de cartilagem, como complemento a procedimentos artroscópicos

  • Recuperação após cirurgia de reconstrução do LCA, para ajudar na integração do enxerto

  • Pacientes que querem começar com uma abordagem menos invasiva antes de considerar tratamentos mais complexos

Por outro lado, o PRP tem eficácia limitada em artrose muito avançada com perda grave de cartilagem, em infecções ativas na articulação ou em pessoas com baixa contagem de plaquetas.

Como funciona o BMAC e quando ele vai além do PRP?

O BMAC (Concentrado de Aspirado de Medula Óssea) dá um passo além do tratamento com plasma rico em plaquetas. Enquanto o PRP trabalha principalmente com fatores de crescimento, o BMAC traz um componente a mais que muda o jogo: as células mesenquimais da medula óssea, que têm a capacidade de se transformar em células de cartilagem, osso e tecido conjuntivo.

O procedimento é feito com anestesia local e sedação leve, em ambiente ambulatorial. A coleta acontece na crista ilíaca, na parte de cima do osso do quadril. O material aspirado passa por uma centrifugação especializada que concentra as células mesenquimais, as plaquetas e os fatores de crescimento. Esse concentrado é então injetado no joelho.

No joelho, o concentrado de medula óssea age em várias frentes ao mesmo tempo. As células mesenquimais liberam sinalizadores que reduzem a inflamação, evitam a morte de células locais e chamam outras células reparadoras para o local. A fração de plaquetas presente no BMAC amplifica esses efeitos. O resultado é um ambiente biológico mais completo e mais favorável à regeneração do que o PRP sozinho consegue criar.

Uma revisão narrativa publicada na PMC (2025) confirmou que o concentrado de medula óssea oferece benefícios na reparação da cartilagem, na modulação da inflamação e na remodelação do osso subcondral, com potencial de retardar a necessidade de prótese total de joelho em pacientes selecionados.

Para quem o BMAC é mais indicado?

O concentrado de medula óssea tende a ser a escolha mais adequada nos seguintes casos:

  • Artrose moderada a avançada (graus II a IV), especialmente em quem ainda não tem indicação de prótese ou quer adiar a cirurgia

  • Lesões de cartilagem e osso subcondral juntos, onde o potencial de diferenciação das células mesenquimais faz diferença real

  • Falta de resposta satisfatória após ciclos de tratamento com plasma rico em plaquetas

  • Lesões maiores de cartilagem ou tendão que precisam de um estímulo regenerativo mais forte

  • Como reforço em cirurgias de cartilagem, para potencializar a recuperação no pós-operatório

Qual é o papel das células-tronco mesenquimais no tratamento do joelho?

As células-tronco mesenquimais, conhecidas como MSCs, são células encontradas em tecidos como medula óssea, gordura e membrana sinovial do joelho. Elas têm duas características especiais: a capacidade de se transformar em células de cartilagem, osso e tendão, e a habilidade de liberar substâncias que reduzem a inflamação e estimulam o reparo do tecido.

Um ponto importante para entender: quando você ouve falar em BMAC, esse tratamento já contém células-tronco mesenquimais. Elas vêm naturalmente na medula óssea coletada. O que diferencia as abordagens chamadas de "terapia com células-tronco" é que, nesses casos, as células são isoladas e cultivadas em laboratório por dias ou semanas até chegar a um volume muito maior antes de serem aplicadas. Esse processo é mais complexo, mais caro e, no Brasil, está disponível principalmente em protocolos de pesquisa ou em centros com autorização específica da Anvisa.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na Medicine (Ma et al., 2020) avaliou estudos clínicos com células-tronco mesenquimais em artrose de joelho e concluiu que houve melhora significativa em dor e função na maioria dos trabalhos analisados, com bom perfil de segurança no curto e médio prazo. Os autores ressaltaram, no entanto, que a variação entre os protocolos ainda dificulta uma conclusão definitiva.

Qual a diferença prática entre células-tronco expandidas e o BMAC?

A diferença principal é a quantidade de células disponíveis para o tratamento. No BMAC, as células mesenquimais estão presentes na quantidade que existe naturalmente na medula do paciente, apenas concentradas por centrifugação. Nos protocolos com células-tronco expandidas, essas mesmas células são multiplicadas em laboratório até chegar a volumes muito maiores, o que aumenta teoricamente o potencial regenerativo, mas também eleva a complexidade e o custo.

Para a maioria dos pacientes no Brasil hoje, o BMAC representa o caminho mais acessível e mais regulamentado para se beneficiar do poder das células mesenquimais no tratamento do joelho.

 PRP, BMAC e células-tronco

Como comparar PRP, BMAC e células-tronco na prática?

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as três abordagens para ajudar na leitura:

Característica

PRP

BMAC

Células-tronco (MSCs expandidas)

De onde vem

Sangue do paciente

Medula óssea do paciente

Medula ou gordura, cultivadas em lab

Como é coletado

Coleta de sangue simples

Aspiração da crista ilíaca

Aspiração + cultivo laboratorial

Invasividade

Baixa

Moderada

Moderada a alta

Células mesenquimais

Não contém

Contém (em quantidade natural)

Contém (em quantidade expandida)

Principal indicação

Artrose leve a moderada, tendinites

Artrose moderada a avançada, lesões condrais

Casos selecionados, pesquisa ou protocolos controlados

Acesso no Brasil

Amplo

Disponível em centros especializados

Limitado, exige autorização regulatória

Complexidade do procedimento

Baixa

Moderada

Alta

Custo relativo

Menor

Intermediário

Maior

Quais critérios ajudam a escolher entre PRP, BMAC e células-tronco?

A pergunta mais comum dos pacientes é: "qual é o melhor tratamento?" A resposta honesta é que não existe uma resposta única. A escolha entre tratamento regenerativo no joelho com PRP, BMAC ou células-tronco mesenquimais depende de uma combinação de fatores que só uma avaliação clínica completa consegue mapear. Mas é possível entender os critérios principais que guiam essa decisão:

Grau de comprometimento articular: artrose leve a moderada tende a responder bem ao plasma rico em plaquetas. Lesões mais avançadas ou com comprometimento do osso subcondral indicam o concentrado de medula óssea ou, em casos específicos, células-tronco mesenquimais expandidas.

Histórico de tratamentos: quem já fez ciclos de PRP sem resposta satisfatória é um candidato natural ao BMAC, que oferece um estímulo biológico mais completo para o joelho.

Objetivos e estilo de vida: atletas que precisam voltar ao esporte rápido, pacientes que querem retardar uma prótese e pessoas com artrose em fase inicial têm necessidades diferentes, o que muda diretamente a escolha da terapia.

Lesões associadas: lesões no menisco, ligamentos ou tendões junto com o problema principal podem indicar protocolos combinados ou mudar a ordem das prioridades.

Disponibilidade e regulamentação: o tratamento com plasma rico em plaquetas no joelho e o BMAC são procedimentos ambulatoriais com boa disponibilidade em Brasília. Os protocolos com células-tronco expandidas precisam de estrutura laboratorial específica e autorização, o que limita o acesso.

Uma avaliação com ressonância magnética, histórico detalhado e exame físico é indispensável para definir qual abordagem, ou qual combinação delas, oferece o melhor resultado para cada caso.

Quando nenhuma dessas terapias é a melhor opção?

Conhecer os limites do tratamento regenerativo no joelho é tão importante quanto saber o que ele pode fazer. Há situações em que PRP, BMAC e células-tronco mesenquimais simplesmente não são as escolhas mais adequadas, e insistir nelas pode atrasar um tratamento mais eficaz.

Em casos de artrose muito avançada (grau IV), com deformidade estrutural grave e limitação funcional severa, a prótese total de joelho tende a oferecer resultados superiores a qualquer abordagem regenerativa. O tratamento biológico pode ser usado como complemento em algumas situações, mas não substitui a indicação cirúrgica quando ela está clara.

Infecção ativa na articulação, uso de anticoagulantes sem possibilidade de pausa e algumas doenças sistêmicas específicas também contraindicam esses procedimentos. Nesses casos, o ortopedista especialista em joelho avalia as alternativas mais adequadas para cada situação.

Conheça o Dr. Itamar Neto, especialista em joelho em Brasília

Entender as diferenças entre PRP, BMAC e células-tronco no joelho é o primeiro passo. O segundo, e mais importante, é descobrir qual dessas opções faz sentido para o seu caso.

O Dr. Itamar Neto é ortopedista e traumatologista especializado em cirurgia e tratamento do joelho em Brasília. Formado pela Universidade de Brasília (UnB), com residência no Hospital de Base do DF e especialização no HRAN, o Dr. Itamar também realizou um Fellowship em Medicina Esportiva em Pittsburgh, nos Estados Unidos, o que significa contato direto com os protocolos regenerativos mais avançados praticados no mundo.

Com anos de experiência dedicados exclusivamente ao joelho, ele atende e opera em quatro locais em Brasília: Hospital Santa Lúcia, DF Star, Clínica Orthos e IOT. Toda a estrutura para avaliação clínica, exames, procedimentos ambulatoriais e cirurgias está disponível dentro de um protocolo personalizado e baseado em evidências.

Se você convive com dor no joelho, tem artrose ou lesão de cartilagem e quer saber se o tratamento regenerativo no joelho é a melhor opção para o seu caso, agende sua consulta com o Dr. Itamar Neto e receba uma avaliação especializada.

Perguntas Frequentes sobre PRP, BMAC e células-tronco:

O PRP substitui a cirurgia no joelho?

O tratamento com plasma rico em plaquetas no joelho não substitui a cirurgia em todos os casos, mas pode ajudar a retardá-la ou até evitá-la em pacientes com artrose inicial à moderada, que ainda não têm indicação cirúrgica clara. Em rupturas completas de ligamentos ou em perdas grandes de cartilagem, a cirurgia continua sendo o tratamento mais adequado, podendo ser combinada ao PRP no pós-operatório.

Qual é o tempo de recuperação após o BMAC?

O BMAC é um procedimento ambulatorial feito com anestesia local e sedação leve. O desconforto no local da coleta e no joelho costuma passar em poucos dias, e a maioria dos pacientes retoma atividades

Quantas sessões de PRP são necessárias para o joelho?

O protocolo mais comum para artrose de joelho consiste em 2 a 3 infiltrações de plasma rico em plaquetas com intervalo de 2 a 4 semanas entre cada aplicação. Para tendinites, 1 a 2 sessões costumam se

Célula-tronco para joelho tem cobertura pelo plano de saúde?

A cobertura de terapias com células-tronco mesenquimais expandidas pelos planos de saúde no Brasil ainda é muito limitada, pois muitas indicações são consideradas em fase experimental. O BMAC pode ter